quarta-feira, 21 de setembro de 2016

NEGRITUDE NA SUA RUA

Cordelista: Amanda de Oliveira

Se parecer oportuno
Aviso de antemão
Esse cordel não tem fundo
Está sempre em construção.
Procurando sua linguagem
Negritude tem razão.

Caminhando eu estava
Numa rua construtiva
Brilhante, cheia de ouro,
Bem corajosa e ativa.
Com gente de toda cor,
Na fase evolutiva.

Modelado o perfil
De barro era o rosto
Do povo que ali se via
Lutando, sempre disposto.
Guerrilheiras e guerreiros.
Com cultura e bom gosto.

Não tinha cavalo zaino
Nessa bonita visão
E nem povo mascarado
Todos com seu pé no chão
Índio, branco e mulato
Negro jovem, ancião.

África, terra de negro
Sobrevivendo na história
Da opressão dos viajantes
Que a deixaram na escória
Pelando suas espigas
Declarando a vitória.

Uma raça geradora
De cultura e alegria
Desenvolveu no Brasil
Traços de sua melodia
Carnaval, samba e fé
Livrando-se da agonia.

Dela quase toda gente
Do Brasil é descendência
Pardo, cafuzo, mulato
Crioulo e sua evidência.
Que mundo miscigenado
Colorindo a vivência.

Transportados por navios
Unidos e algemados
Muitos até faleciam
Por estarem abafados
Sem água e sem comida
Dos senhores já marcados.

Humilhados muito tempo
Como boi no matadouro
Sem morada e sustento
Para explorar o ouro.
De sua terra e ao redor
Que lhe valessem o louro.

Ferramentas de valor
eram eles no mercado
Escravos do seu Senhor
Pro trabalho preparado.
Em terras, minas e casas
O negro foi explorado.

Quando já não aguentavam
Nas matas iam chorar
E estando decididos
Em grupo foram morar.
Libertos do escravismo
Engajados pra mudar.

No quilombo reunidos
Demonstraram seu valor
Enraizando a arte
De lutar por mais amor.
Pra toda humanidade
O negro tem seu penhor.

O Quilombo dos Palmares
É orgulho e tradição
Mantém o fogo acesso
Cultural de uma nação.
Preservando a história,
Lutando, sempre em ação.

Expressando seu desejo
E sua diversidade.
O negro lá do Quilombo
Também é sociedade
Labutando e cantando
Constrói sua identidade.

Nos engenhos de açúcar
Uma dança embalou
No ritmo, a capoeira
A negrada animou.
Defendia dos Senhores
Que seu sonho massacrou.

Dançando entre amigos
Para alegrar os seus
Com berimbaus e pandeiros
Música boa pros teus.
Sambam bem a negritude
Agradando ao bom Deus.

Nos quilombos, no terreiro
O samba é tradição,
Nas rodas de alegria
Não envolve rejeição.
O som diverte e agita
Dancemos com união.

Vamos negrinha pro samba
Clementina vai cantar
E assim essa cultura
Sempre viva a despertar.
O samba é um gingado
De matrizes popular.

Negritude na sua rua
Repare, só o que tem
No Brasil essa cultura
Disseminou muito bem,
Nas panelas e cabelos
E na música também.

Acarajé, vatapá
Bobó também feijoada
Iguarias africanas
Com pimenta preparada.
Coco, cuzcuz e banana
Capoeira, munguzada.

Cafezinho que é de lei
Na hora de acordar
Estimular a história
Faz a gente viajar.
Na produção e origem
A negada fez seu lar.

Diferente seu estilo
Cabelo original
Black Power e trançado
Crespo, duro, marginal.
Negra é a sua pele
Que beleza natural.

Veja só que influência
Os negros são para nós
Benedita, Pixinguinha
Anastácia é para vós
Exemplos de austeridade
Pra vitória vir após.

O vinte e cinco de julho
É um dia especial
Embora não reconheçam
É internacional
É dia da Mulher Negra
Guerreira, fenomenal.

Também tem o dia 20
De novembro pra ajudar
A lembrarmos da labuta
Do negro pra conquistar
Seu espaço e sua vida
Sua história e lugar.

Distinguir não é errado
Ser diferente é normal
Repare na sua barriga
O tamanho natural,
E na cor da sua pele
Fundamento principal.

Violência crime é
Disso todos nós sabemos
Todo dia gente morre
E o quê que nós fazemos?
A maioria são negros
Por isso escondemos?

Nesse país o descaso
Com o jovem é amoral
Se for negro o problema
Consideram já normal
Tantos morrem, outros choram
A discussão é total.

Pense com inteligência
Coloque seu pé no chão
Aqui é zero racismo
Não há discriminação.
Todos somos diferentes
Com o mesmo coração.

O povo negro descende
Da perfeita criação
De um artista, escritor
Provedor de inspiração.
Homem, mulher e adeptos
Manifestem gratidão.

Leia sempre e estude
Pra não ter nenhum problema
Ao falar da negritude
Ou ouvindo sobre o tema
Cultivando bem a arte
Venceremos o sistema.

O cordel é importante
Para a formação do ser
A saída educativa
Que enriquece o saber.
Com cultura verdadeira
Sou Amanda de Oliveira
Alegrando seu viver.